O custo dos alimentos sem glúten no Brasil – A visão de uma celíaca!

O custo dos alimentos sem glúten é sempre alvo de muita polêmica.

Achei esse texto da Raquel Benatti muito interessante, vale compartilhar:

Todos nós celíacos ou que adotamos uma dieta sem glúten concordamos com uma coisa – nossa alimentação é mais cara do que a da maioria da população.

Ninguém aqui compra alimentos sem glúten caros apenas por diversão ou por não ter nada melhor para fazer.

Quando ficamos felizes em poder ter acesso a produtos sem glúten saborosos mesmo que muito caros, não estamos dizendo que somos “alienados” e não vemos o que está a nossa volta.

]Só estamos felizes por poder comer algo igual ou parecido com o que já comemos um dia na vida.

Ficamos felizes assim também quando conseguimos que uma receita dê certo e seja aceita por nossos familiares e amigos.

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Mas é preciso entender o porque nossa alimentação é mais cara:
1 – se um pão de sal comum usa 3 ou 4 ingredientes, nossos pães podem ter até 18 ingredientes;
2- o trigo tem carga tributária subsidiada, pois é a base da alimentação de 99% da população brasileira, fazendo com que os alimentos produzidos com ele tenham preços acessíveis e mais baratos que frutas e legumes, permitindo que possam ser comprados em qualquer esquina, com data de validade extensa e em quantidade abundante;
3- Nossos produtos são especiais – além do número de ingredientes, a empresa que produz tem responsabilidade dobrada por causa do controle sobre os riscos de contaminação cruzada por glúten, aumentando o trabalho com limpeza de ambiente, máquinas, capacitação dos funcionários;
o fornecimento de matéria prima é feito por empresas que dão garantias de que não tem traços de glúten, etc., o que nem sempre será daquela empresa que tem o preço mais competitivo no mercado;
4- A maior parte das empresas que produzem sem glúten estão localizadas no sul do país – os produtos viajam centenas de quilômetros para chegar na nossa casa;
5- Por maior que seja o investimento em pesquisa e tecnologia, ainda estamos engatinhando nessa produção sem glúten e o sabor e textura dos alimentos ainda estão longe de serem iguais aos que tem glúten;
6 – Para tentar chegar a uma textura mais aceita, nossos produtos são mais calóricos, com mais gordura, açúcar e coadjuvantes (gomas, fibras, pectina, lecitina, etc.) do que os similares com glúten;
7- Não tem conservantes naturais (o glúten também tem esse papel de ajudar a conservar) e por isso precisam de geladeira ou tem validade curta – o lojista gasta mais com energia elétrica, equipamento e espaço dentro da loja e ainda perde o produto se ele não tiver saída rápida;
8 – Quem faz ficha técnica das preparações sem glúten sabe a enorme variação a que esses produtos estão sujeitos, seja na quantidade de líquidos, seja pela umidade do ar e temperatura ambiente, seja na diferença de textura de um lote de farinhas para outro, e assim por diante.


Pães e bolos - 01

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Poderíamos ficar aqui escrevendo sem parar sobre esse assunto, listando mais uma série de razões, mas na verdade o que importa é que uns podem comprar produtos da Schar, outros podem comprar Casarão ou Aminna, e muitos não podem comprar e nem tem acesso a nada disso.

Comem arroz com feijão, legume e verdura no café da manhã, almoço e jantar e pipoca e fruta nos lanches – se tiverem gás ou lenha pra cozinhar.

O que nós celíacos podemos fazer para mudar essa situação ?

Nossa LUTA deve ser pelo Direito Humano a Alimentação Adequada (DHAA) de TODOS os celíacos desse país. Como fazemos isso ?



Poderia ser:
– apresentando projetos de lei que possam diminuir a carga tributária de alimentos para fins especiais (isso não é para comprar coxinha e pizza, mas para termos produtos saudáveis e considerados essenciais na alimentação das pessoas);
– apresentando projetos de lei, garantindo uma ajuda mensal para as famílias de celíacos carentes desse país…

O que não podemos fazer é apenas reclamar e ponto final. Seja mobilizando as pessoas, seja participando de algum grupo ou associação de celíacos, seja participando dos Conselhos de Saúde, Segurança Alimentar, Alimentação Escolar, etc., é só assim que vamos mudar o que existe hoje.

Texto original em: http://dietasemgluten.blogspot.com.br/2016/12/o-valor-dos-alimentos-sem-gluten-por.html?m=1



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5 comentários sobre “O custo dos alimentos sem glúten no Brasil – A visão de uma celíaca!”

  1. Prezado Johnny,

    Não sou celíaca, mas produzo e vendo pães e bolos sem glúten e já baixei seu ebook gratuito para aprender novas receitas.
    Vendo meus produtos em frente à um mercado numa rua da zona sul do Rio de Janeiro. Nem todos os meus clientes são celíacos, são pessoas que buscam uma alimentação mais nutritiva ou por quererem experimentar algo diferente. Minha receita leva biomassa de banana verde e suco vegetal e o resultado é satisfatório. A primeira coisa que as pessoas comentam é que não é um pão seco.
    Me considero uma aluna aplicada, auto-didata. Leio bastante sobre o assunto e tenho me sentido gratificada pelos elogios que recebo.
    Realmente o custo das farinhas é dobro da farinha de trigo comum. Espero que o movimento conquiste o subsídio.
    Grande abraço
    Claudia

    1. Cláudia, espero que goste das receitas do ebook.

      Eu fico muito feliz quando consigo fazer um pão com cara de pão. É uma realização.

      E quanto aos custos, espero muito que consigamos equilibrar esses custos para poder propiciar uma alimentação saudavel com um preço justo para os celiacos.

  2. Olá Johnny!

    Sou celíaca e ainda por cima desempregada! Daí você já imagina a minha luta para ter uma alimentação adequada e me virando nos trinta por conta do preço. Na maioria das vezes eu mesma faço minha alimentação, mas a matéria prima já é bem cara também. Gostaria muito de ter seu e-book. Como proceder para consegui-lo?
    Obrigada.

    Abraços

  3. No que tange a matéria prima, o saco de 25kg de farinha de arroz, por ex, que substitui em grande parte a de trigo, custa no atacado R$ 2 a R$ 4 a mais, o que em hipótese alguma justifica os empórios venderem a farinha de arroz a R$ 10,00 o kilo, estando o trigo a R$ 3,00. Isso nada tem haver com impostos.

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